A Câmara Municipal realizou uma Audiência Pública focada em traçar providências e desenhar um plano emergencial do poder público para os fenômenos climáticos extremos previstos para a região. Conduzido pela vereadora Judeti Zilli (PT), o debate institucional teve como meta principal a proposição de políticas transversais. A urgência da discussão foi pautada pelo avanço do fenômeno El Niño que, conforme projeções do Ministério das Mulheres, deve estender-se até o início de 2027 com fortes estiagens, calor extremo e alto risco de incêndios em toda a região Centro-Norte paulista.
Durante a reunião, foi apresentado o Protocolo Mulheres e Emergências Climáticas, uma ação do Governo Federal atrelada ao Plano Clima para orientar estados e municípios. Foi enfatizado que as crises climáticas não são neutras e aprofundam desigualdades estruturais, impactando de forma mais severa populações vulneráveis, mulheres negras e a periferia. O protocolo visa garantir diretrizes para a proteção de direitos em todo o ciclo de gestão de risco, integrando secretarias municipais para que a perspectiva de gênero conste ativamente desde as etapas de prevenção até o acolhimento emergencial.
Representantes da administração municipal expuseram o panorama das ações municipais preventivas. De acordo com os técnicos da Secretaria do Meio Ambiente, Ribeirão Preto é pioneira na elaboração própria do Plano de Adaptação e Resiliência Climática, integrando as dez cidades paulistas participantes do programa federal Adapta Cidades. A elaboração desse plano para gerar economia e eficiência, encontra-se na fase de identificação e mapeamento de riscos específicos.
Já o representante da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Zeladoria detalhou os trabalhos de campo executados de forma preventiva para mitigar desastres civis em tempos de seca. A pasta registrou o marco de 127,71 quilômetros de aceiros concluídos em pontos sensíveis, incluindo limites do Rio Pardo, Anel Viário e fazendas vizinhas. O evento também contou com a participação de representantes da Guarda Civil Metropolitana e do movimento social Tá com Calor, Plante Árvore.
Texto: André Luís de Jesus
Foto: Thaisa Coroado